The Last Faith: um metroidvania sombrio que não reinventa nada mas ainda assim é bem divertido
The Last Faith não chega querendo mudar o mundo dos metroidvanias. Ele chega, olha para os clássicos do gênero, faz uma reverência respeitosa e diz: “relaxa, eu faço o básico bem feito”. E, honestamente? Em muitos momentos, isso já é mais do que suficiente.
REVIEWSGAMES RETRO
Gustavo-PressStart
1/24/20263 min read


The Last Faith nunca foi um jogo que tentou reinventar o gênero. Desde o começo, ele deixou bem claro que sua missão era outra: entregar um metroidvania 2D sombrio, com combate exigente, mapas grandes e aquela vibe de mundo condenado que a gente já conhece e, convenhamos, gosta bastante.
Com a chegada da DLC Awakened Ancients, o jogo finalmente passa aquela sensação de obra mais “redonda”, como se tudo o que já funcionava bem agora tivesse mais espaço para respirar — e mais motivos para voltar.
Exploração clássica, do jeito que metroidvania gosta de ser
Explorar o mundo de The Last Faith é basicamente seguir a cartilha clássica do gênero. Mapas grandes, interligados, cheios de portas que você não pode abrir agora, mas que ficam te encarando até você desbloquear alguma habilidade nova, como pulo duplo ou gancho.
O jogo até ajuda um pouco, marcando portas trancadas no mapa, mas para por aí. Morreu e deixou seus recursos espalhados em algum canto esquecido? O jogo não vai te contar onde. Side quest perdida? Também não. É aquele estilo mais raiz, que confia que o jogador vai se virar — ou sofrer tentando.
Com o conteúdo extra da DLC, essa exploração ganha mais fôlego. Novas áreas e desafios dão um bom motivo para revisitar o mapa e encarar de novo esse mundo decadente.
Combate sólido, armas estilosas e escolhas nem sempre flexíveis
O combate continua sendo um dos pontos fortes. Bater nos inimigos é satisfatório, as animações são boas e a variedade de armas chama atenção. Tem espada tradicional, arma estranha, coisa que solta fogo… testar equipamentos é divertido.
O problema é que o jogo ainda é bem rígido nas builds. Como em outros soulslikes, cada arma escala com atributos específicos. Se você investiu pesado em força, trocar para algo que usa outro atributo costuma ser uma péssima ideia. E não existe um sistema de reset de atributos, o que limita bastante a experimentação.
Magias e armas de fogo existem, mas continuam parecendo opções secundárias na maioria do tempo. Funcionam, mas raramente são mais eficientes do que sair na espada.
Um mundo gótico competente, mas que joga no seguro
Visualmente, The Last Faith aposta em um gótico de inspiração vitoriana, com monstros clássicos, cultistas e criaturas deformadas. É um clima que funciona bem, passa a sensação de um mundo quebrado e sem esperança, mas raramente surpreende.
Boa parte dos cenários acaba parecendo variação do mesmo tema: mansões antigas, cavernas profundas, corredores escuros. A DLC ajuda a dar uma renovada nisso, mas ainda assim é um jogo que prefere o seguro ao ousado.
Chefes desafiadores, mas pouco memoráveis
Os chefes são bons testes de habilidade. Eles exigem atenção, leitura de padrões e paciência. Na prática, cumprem muito bem o papel de marcar o fim de uma área ou um ponto importante da progressão.
O problema é que poucos deles realmente ficam na memória depois que o jogo acaba. São lutas competentes, mas não chegam naquele nível de chefes icônicos que você lembra anos depois. Funcionam no momento, mas não marcam tanto.
História vaga, clima forte
A narrativa segue o padrão soulslike clássico: fragmentada, cheia de lacunas e aberta à interpretação. Entidades misteriosas, poderes concedidos a pessoas erradas e um mundo condenado a existir em sofrimento constante.
Quem gosta de juntar pistas e montar teorias vai encontrar material aqui. Quem não tem paciência para isso também consegue aproveitar o jogo só pelo clima e pela jogabilidade. A história não se impõe — ela fica ali, como pano de fundo.
Awakened Ancients: o empurrão que faltava
A DLC Awakened Ancients chega como um complemento natural. Ela não muda radicalmente o jogo, mas adiciona conteúdo suficiente para justificar o retorno: mais desafios, novas áreas, modos extras e uma sensação geral de que o pacote agora está mais completo.
Para quem já tinha gostado do jogo base, é um ótimo motivo para voltar. Para quem estava em dúvida, ajuda a tornar a experiência mais robusta e interessante.
Vale a pena jogar The Last Faith hoje?
The Last Faith não é o metroidvania definitivo, nem tenta ser. Ele é um jogo sólido, honesto e competente, que entende bem o gênero que representa. Com a DLC Awakened Ancients, ele ganha mais corpo e mais razões para ser jogado.
Se você curte metroidvanias sombrios, com combate desafiador e exploração clássica, é uma experiência que vale o tempo — especialmente agora, com tudo que o jogo tem a oferecer reunido.
Aqui no Press Start, a gente prefere falar a real: The Last Faith joga no seguro, mas joga bem. E às vezes, isso é exatamente o que a gente quer.
— Gustavo | Press Start
Contato
Entre em contato conosco para sugestões ou parcerias profissionais.
Redes
© 2025. All rights reserved.
